Mas como saber se a quantidade de suor está normal ou excessiva?
Pessoas com esse problema queixam-se de não poderem usar roupas de certas cores, pois evidenciam mais as rodas de suor sob as axilas.
Necessitam trocar de roupa durante um turno de trabalho ou levar dentro da sacola pequenas toalhas para secarem as axilas.
Relatam que o problema se agrava em situações de stress.
Referem desgaste acentuado das roupas.
Eventualmente, queixam-se de odor desagradável (bromidrose) resistente aos desodorantes, mesmo sem volume excessivo de suor.
O distúrbio inicia-se geralmente na adolescência, melhorando ou desaparecendo na meia idade.
Quais as causas do problema?
As glândulas de suor presentes nas axilas são de 2 tipos: écrinas e apócrinas. As écrinas produzem um suor aquoso, em volume razoável, mas sem cheiro. As apócrinas produzem um suor leitoso em pequena quantidade mas que, sob ação das bactérias da pele, pode produzir odor. Assim, se a queixa é de grande volume de suor (hiperidrose), provavelmente quem está funcionando demais são as glândulas écrinas. Se o problema, ao contrário, é odor desagradável (bromidrose), talvez haja um predomínio de produção do suor apócrino.
Mas por que motivo estariam estas glândulas trabalhando demais?
Sabe-se que a produção de suor tem por finalidade regular a temperatura corporal e eliminar toxinas. Portanto, seu funcionamento é "automático", ou seja, é regulado pelo chamado "sistema nervoso autônomo" e independe de nossa vontade.
Existem então diversas teorias para explicar o porque desse excesso de suor: ou existem glândulas demais ou elas estão sendo superestimuladas por impulsos nervosos autônomos.
Tratamentos*?
O tratamento da hiperidrose axilar pode iniciar-se clinicamente.
Tratamentos clínicos disponíveis:
• Desodorantes contendo sais de alumínio,
• Iontoforese (tratamento com aparelhos que provocam atrofia das glândulas através da passagem de corrente elétrica),
• Medicamentos ansiolíticos em situações de stress previsível (o alívio da ansiedade diminui a estimulação do sistema nervoso autônomo). Eventualmente até psicoterapia poderá estar indicada.
Mais recentemente, o uso da toxina botulínica (Botox®) mostrou-se muito útil no controle da hiperidrose, sendo, geralmente, necessária a reaplicação 2 ou 3 vezes ao ano para manter os efeitos.
Quais as cirurgias disponíveis para tratar a Hiperidrose Axilar?
Podemos dividir as modalidades cirúrgicas em dois grandes grupos. No primeiro grupo estão as técnicas que retiram as glândulas, ou seja, diminuem o seu número das mesmas, podendo ser de modo seletivo, ou removendo-as em conjunto com a pele. No segundo estão as diversas formas de simpatectomias, que são cirurgias que cortam os nervos responsáveis pela estimulação das glândulas sudoríparas. No primeiro grupo o volume de suor é reduzido porque diminui o número de unidades produtoras. No segundo porque as unidades produtoras perdem seu estímulo.
Considerando um paciente com hiperidrose ou bromidrose axilar isolada, uma técnica que se destaca é a remoção seletiva das glândulas utilizando instrumental de lipoaspiração.
Mas a lipoaspiração não é para remover gordura?
Sim, mas ao contrário da lipoaspiração convencional, em que os orifícios das cânulas são usados voltados para a profundidade (gordura), neste caso, para removermos as glândulas de suor voltamos os orifícios para a superfície, ou seja, para a face interna na pele. Da mesma forma que na lipoaspiração, entretanto, as incisões são mínimas, seu tamanho varia entre 0,5 a 1cm e são planejadas para ficar o menos visíveis possíveis. As cicatrizes serão permanentes e vão se modificando com o decorrer do tempo. Cada paciente comporta-se diferentemente de outro, em relação à evolução das cicatrizes, podendo, mesmo, em alguns casos, tornar-se imperceptível. Entretanto alguns pacientes podem apresentar tendência à cicatrização inestética (cicatriz hipertrófica e quelóide). Esta tendência deverá ser discutida, durante a consulta inicial, assim como os seus fatores predisponentes. Vários recursos clínicos e cirúrgicos nos permitem melhorar tais cicatrizes inestéticas, na época adequada. A cicatriz hipertrófica e quelóide, não devem ser confundidas com a evolução natural do período mediato da cicatrização. Qualquer dúvida a respeito da sua evolução cicatricial deverá ser esclarecida durante seus retornos pós-operatórios, quando pode se fazer a avaliação da fase em que se encontra.
* A realização dos tratamentos somente ocorrerá após consulta médica e os eventuais resultados dependerão das condições físicas de cada paciente. |